Henrique Rodrigues: Nadador olímpico iniciou na Amaral (Entrevista)

Henrique Rodrigues, 25 anos, é um dos principais atletas da seleção brasileira de natação, tendo participado de duas olimpíadas, sendo uma em Londres e, mais recentemente, a do Rio de Janeiro. Sua principal especialidade é o medley, o qual exige a habilidade de nadar os quatro estilos. Com várias medalhas de ouro em sua trajetória, Henrique se tornou referência no esporte, servindo de inspiração aos praticantes e amantes da natação.

Recentemente, Henrique esteve em Curitiba, na Escola de Natação Amaral, participando do 6º Nobre Festival de Natação Amaral – Troféu Henrique Rodrigues (evento que leva seu nome). Carismático e atencioso, conversou com nossa equipe e contou detalhes do início da sua carreira, destacou as habilidades necessárias para se tornar um nadador de sucesso, além de ter dito quais são seus planos futuros. Confira.

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Em que momento você percebeu que seria nadador profissional?

Foi no momento em que ganhei a primeira medalha na natação. Eu era criança, tinha 11 anos, jogava futebol, como qualquer um da minha idade, tinha participado de campeonatos, ganhando medalhas, mas quando ganhei a primeira medalha na natação, vi que tinha sido muito fácil – e que conseguiria mais com toda certeza. Nesse momento, decidi: quero natação para minha vida.

Como é para você, hoje, ser o nome do troféu do Nobre Festival de Natação da Amaral?

Na época este evento levava o nome do Rogério Romero, e era sempre lotado. Eu nadei aqui, do lado dele, o que foi um incentivo tremendo. Fui participando de outros desafios, até que ganhei minha primeira medalha em uma competição Estadual, realizada na Universidade Positivo. Por isso, eventos como esse são fenomenais, pois incentivam a continuar nadando.

Eu fico muito feliz em estar servindo de espelho para essas crianças, porque também me espelhei em grandes atletas. Para mim, é uma honra e vejo que estou fazendo um bem ao esporte. Sabemos que estamos em um momento muito difícil no Brasil, com questões complicadas na política e economia, então ver crianças com brilhos nos olhos, evoluindo, é espetacular. É realmente gratificante, mais que qualquer medalha, mais que qualquer conquista.

Inclusive, você começou a nadar aqui na Escola, certo? Como foi seu início na natação?

Sim, comecei a nadar com 5 anos, aqui na Escola de Natação Amaral. Comecei na piscina 3 e fui evoluindo para a 4, 5 e 6. Até que uma professora me perguntou se eu queria ir para a equipe de natação, ver como era. Fui, e após uma semana não quis mais voltar. Comecei a fazer amizade, gostar muito do ambiente, o que me tornou uma pessoa melhor.

O esporte é uma questão de valor, coloca toda sua criação, educação à prova. Tudo que aprende em casa e na escola, você vai usar, pois a natação exige isso, demandando muito da pessoa. É muito fácil desistir, porque é muito difícil – eu mesmo já pensei algumas vezes. Mas, neste momento, estou voltando da minha segunda olimpíada, e caminhando para a terceira, em Tóquio 2020 – o amor, a paixão pelo esporte sempre aumenta.

Henrique, que conselho você daria a um(a) jovem que deseja seguir a carreira de nadador profissional?

Disciplina, perseverança, força de vontade você recebe de casa e na escola. Tem que ter tudo isso para estudar. Natação não é diferente. É uma prova todo dia. Você vem aqui, e nada, e tem que continuar fazendo força…é a questão de nunca desistir, a famosa resiliência, porque você vai passar muita dificuldade, como tudo na vida. Tem que encarar cada obstáculo como mais um degrau que você subiu. Nunca desistir, sempre perseverar e estar sempre alegre, tem que gostar do que faz.

E precisamos de renovação, de uma criança, um jovem, após meu legado. É isso que estou buscando agora, quero trazer uma renovação para cá, as vagas estão abertas para quem estiver disposto, pois tem que ter muita dedicação para esse esporte.

Qual a importância da família nesse trajeto?

A de incentivar sempre, como foi na minha casa. Para mim, estudar foi lei número um, com meu pai dizendo se tirar nota boa, você pode fazer o que quiser. A partir do momento que comecei a me destacar na natação, a gente sabe que apoio financeiro não existe, ainda mais com toda crise hoje, e você ter um incentivo da família, da equipe toda, acho que é o principal. Família é suporte, é base para superar todos os obstáculos.

Recentemente, você esteve nas Olimpíadas do Rio de Janeiro representando o Brasil. Como foi essa experiência?

Sabe quando você entra em um estádio de futebol, e você tem 20 mil pessoas gritando o nome de um jogador? Essa foi a sensação que eu tive nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Nunca vi nada igual. A hora que caí na piscina, vi a bandeira do Brasil, só se ouvia o meu nome, com o pessoal torcendo, apoiando… Olimpíada é fora dos padrões de competição, não tem nada parecido. Foi totalmente mágico, o público estava ali para prestigiar ao máximo. Natação foi um dos esportes com maior interação entre os atletas e torcida. Mágico, é o que define. Tem gente com 4, 5 olimpíadas que nunca tinha visto nada igual. O brasileiro é muito caloroso; foi espetacular.

Por fim, o que você deseja para o futuro?

Pretendo ir até a Olimpíada de 2020 treinando muito forte. Depois, quero encerrar a carreira aqui em Curitiba, já tendo a formação de um novo atleta, que represente a todos nós, sendo essa renovação que precisamos. E mais a frente, pretendo voltar a estudar, levando o esporte de uma maneira mais suave, ainda mais feliz.

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